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A arte de escrever depressa
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A arte de escrever depressa

Milenar, o ofício de taquígrafo continua ganhando fôlego, apesar das novas tecnologias. Primordiais na rotina de órgãos públicos, profissionais da área chegam a ganhar salário inicial de R$ 17 mil Escrever, digitar ou até mesmo transcrever a fala de um interlocutor de forma simultânea parece uma tarefa impossível. Mas os taquígrafos fazem isso sem nenhuma dificuldade. Por meio de símbolos que reproduzem os sons das palavras, eles conseguem colocar no papel uma palestra, um discurso parlamentar, uma conversa ou qualquer tipo de oratória em tempo real, acompanhando a velocidade da fala. Mesmo com todas as tecnologias atuais, a profissão está longe de se tornar obsoleta. Pela transcrição fidedigna e pela rapidez, esses profissionais são requisitados por associações, por escritórios de direito e, sobretudo, por órgãos públicos dos Poderes Legislativo e Judiciário, onde são essenciais. São os taquígrafos, por exemplo, que fazem as atas das comissões, das audiências e do parlamento, e comprovam o trabalho que os parlamentares estão realizando, atestam a veracidade dos diálogos e ainda divulgam para a sociedade o que acontece no dia a dia. Tanta responsabilidade dá a esses trabalhadores um salário inicial que pode ultrapassar os R$ 17 mil no serviço público e um amplo leque de opções de atuação para os autônomos. Normalmente, por uma hora de serviços prestados, os taquígrafos cobram entre R$ 140 e R$ 180. Mesmo assim, ainda faltam profissionais qualificados no mercado. Com o anúncio de 10 vagas, além de cadastro de reserva, para a seleção do Senado Federal, que deve acontecer em 2012, a procura por cursos na área aumentou. Mas o professor e fundador da Academia de Línguas e Letras, Antônio Walter Queiróz Galvão, 84 anos, faz um alerta: quem quiser conseguir ser aprovado na prova prática do certame precisa começar logo. “Uma pessoa comum fala 80 palavras por minuto em uma conversação. Para esse concurso, é exigida a captação de 110 a 120 palavras por minuto por meio da taquigrafia. Isso só se consegue após o curso e muito tempo de treinamento”, enfatiza ele. O aprendizado da técnica pode acontecer em intervalos variados, dependendo do empenho do aluno. Para escrever em uma velocidade normal, é preciso estudar por, pelo menos, seis meses. Os outros seis de aperfeiçoamento são de prática intensa e treinamento. Embora existam mais de 60 métodos diferentes para escrever por meio de símbolos, os sistemas mais utilizados no Brasil são o Taylor, o Oscar Leite Alves, o Duprat e o Martí, ensinados por escolas específicas ou por taquígrafos que exerceram a profissão por muito tempo e decidiram se dedicar ao aprendizado. Para fazer um trabalho de qualidade nessa área, é preciso também conhecer bem a língua portuguesa, a fonética e a linguística. “Até para passar em uma prova de concurso é necessário ser aprovado primeiro em um teste de nível superior e em uma prova de português para depois mostrar os conhecimentos como taquígrafo na prova prática”, analisa a professora e ex-diretora da área de taquigrafia do Senado Lizete Castro. Segundo ela, a exigência de nível superior se justifica por causa da necessidade de contextualização exigida pelos profissionais desse ramo. “Não é só escrever o que as pessoas falam, tem que interpretar, normatizar e corrigir o português. Quem não sabe ortografia não consegue entender o sistema, fazer a junção das palavras”, afirma. Carreira renovada Ouvir perguntas sobre o porquê da taquigrafia não ser substituída por gravadores é muito comum para quem não entende o que esses profissionais fazem. Ao contrário das longas horas de degravação que uma pessoa comum demoraria e da necessidade de ficar voltando o áudio diversas vezes para entender o que foi dito, com a técnica isso não é necessário. Para aliar essa agilidade a benefícios para a população, André Valter Galvão, 41 anos, filho do professor Galvão, ajudou a aliar a velocidade da internet à da taquigrafia. Como diretor do setor dessa especialidade na Câmara dos Deputados, ele foi um dos idealizadores da implantação de um sistema no qual os taquígrafos da Casa atualizam as notícias na Agência Câmara de dois em dois minutos, possibilitando o contato da população com o que é dito no parlamento. “Nós oferecemos as informações puras, sem edições ou cortes. Colocamos (exatamente) o que foi dito”, explica. “Se um deputado quer passar uma informação, não adianta que isso seja divulgado três ou quatro dias depois. Como aconteceria com a degravação de fitas. Mas nós publicamos isso com agilidade pelo que a técnica nos proporciona. Se uma sessão termina as 20h, por exemplo, no máximo até às 20h10 todo o conteúdo estará divulgado no nosso site”, relata André, que é o atual revisor de sua área na Câmara. Ele foi alfabetizado em taquigrafia pelo pai quando ainda tinha 12 anos e se apaixonou pela técnica. Mesmo assim não deixou de se capacitar. Formou-se em direito, atua como advogado e ainda dá aulas na Academia de Línguas e Letras. “Nós vivemos no mundo da informação, cumprimos um papel de passá-la de forma ágil e não podemos parar no tempo. Assim como em toda profissão, a atualização é importante”, ressalta André Galvão. Segundo ele, como a profissão exige muito da audição, da visão e da capacidade de concentração, é preciso que os futuros profissionais entendam que, ao entrar para o ramo, os cuidados com a saúde têm que ser constantes. É preciso fazer exercícios para não desenvolver uma Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e forçar uma aposentadoria antecipada. Para isso, há um sistema de rodízio que precisa ser cumprido à risca para que ninguém seja sobrecarregado. Afinal, todos os registros são feitos a lápis e em um papel especial para que a leitura possa ser feita corretamente. Justamente para regulamentar essas peculiaridades, o deputado Valtenir Pereira (PSB-MT) propôs, no ano passado, a votação do Projeto de Lei nº 7358/10, prevendo a aposentadoria especial para taquígrafos aos 25 anos de trabalho e carga horária fixa de 6 horas diárias e 30 semanais. Mas a proposta foi arquivada. Atualmente, não há normas diferenciadas para a carreira e a aposentadoria se enquadra nas regras gerais. Um estudo do professor Gentil Luiz João Feijó, da Faculdade Fluminense de Medicina, revela que o desgaste físico e psíquico a que é submetido o taquígrafo pode levá-lo à invalidez em um prazo relativamente curto. Taquigrafando a história Nascido em 1927, Antônio Walter Queiróz Galvão começou a se interessar pela taquigrafia quando ainda tinha 14 anos. Por meio de um anúncio de jornal oferecendo um curso gratuito, ele aprendeu primeiro a profissão de estereógrafo (quando a pessoa consegue captar cerca 80 palavras por minuto) e, logo após, a de taquígrafo. Não demorou para que Antônio conseguisse seu primeiro emprego na área. Com 18 anos, ele já era perito contador (mais uma de suas habilidades) da WM Jackson, no Rio de Janeiro. Além da função inicial, taquigrafava, datilografava e respondia cerca de 40 cartas por dia, ditadas pelo seu chefe da época. Em 1957, ele ingressou como servidor público do Tribunal Federal de Recursos, hoje Superior Tribunal de Justiça (STJ), quando passou em primeiro lugar. Dois anos depois, foi convocado a sair do Rio e se mudar para Brasília para trabalhar na sede do órgão. Chegou à capital em 1960 e foi o único taquígrafo que registrou a primeira reunião do STJ, em 21 de abril de 1960. Com o decorrer do tempo, formou-se em contabilidade e direito, fundou a Academia de Línguas e Letras, que hoje atende cerca de 50 alunos de taquigrafia por mês, além dos outros estudantes de línguas estrangeiras. Antônio Galvão também ensinou seus quatro filhos a dominarem a técnica. Manoela Alcântara – Correio Braziliense
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